1. SUPOSTA INEXPERIÊNCIA: Dilma não saiu do nada. Tenta-se ardilosamente misturar experiência eleitoral com experiência administrativa. Dilma, de fato, não tem experiência eleitoral (o que, aliás, não é ruim, dadas as práticas eleitorais vexatórias a que cialis professional assistimos). Mas, em termos de experiência administrativa, é irracional dizer que ela não tem experiência: foi secretária de município, secretário de Estado duas vezes, Ministra de Minas e Energia e Ministra da Casa Civil (quem trabalha em Brasília sabe que Ministro da Casa Civil é o segundo cargo mais importante do país, quase um primeiro ministro). E sabemos, portanto, o que ela fez nesse passado. Tirou o Brasil do Apagão e ajudou Lula a fazer um governo muitíssimo bem avaliado.

2. NORDESTE: “Se fosse pensar assim, Minas e São Paulo nunca receberiam tanto recurso do governo federal”. De fato, agora todos os Estados recebem, porque os repasses são objetivos, não dependem da cor partidária. Mas antes não era assim. Todos sabemos das dificuldades por que passava o Nordeste até o início do governo Lula. Não se pode esquecer da negligência com que éramos tratados, da ausência de investimentos, da ausência de políticas sociais, da falta de empregos e da estagnação econômica. O Nordeste passou a ser visto como solução para o Brasil, e não como fardo.

3. O MITO DOS CARGOS COMISSIONADOS: fala-se tanto, que parece ser verdade. Os cargos em confiança no governo federal são praticamente os mesmos desde o início do governo Lula. FHC deixou o governo federal com 20 mil cargos em confiança, mesmo número de hoje. A diferença é que hoje a maioria desses cargos é ocupada por servidor de carreira, graças aos inúmeros concursos públicos realizados sob Lula (o que quase não ocorria antes) e graças ao Decreto 5.497, de 2005 (disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5497.htm), que restringiu a ocupação de cargos de confiança por pessoas que não forem de carreira (antes não havia limites). Vale notar – já que a imprensa não aponta – que há mais pessoas de fora da carreira ocupando cargos comissionados na Prefeitura de São Paulo e no governo de São Paulo (ambas do PSDB e DEM) do que em todo o governo federal. Serra esteve à frente desses dois entes.

4. MITOS SOBRE JOSÉ SERRA: Quem criou os genéricos foi Itamar Franco, quando editou o Decreto no. 793, de 1993 (disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D0793.htm). Serra só virou Ministro da Saúde cinco anos depois disso. O FAT tem origens no PIS e PASEP, criados em 1970. O Programa de Saúde da Família também é do governo Itamar, de 1994 (Serra só virou Ministro em 1998).

5. CONTEXTO INTERNACIONAL: De fato, o Brasil vive uma realidade bem diferente da de FHC. Enquanto sob Lula o mundo enfrentou a maior crise dos últimos 50 anos e o Brasil se segurou bem, sob FHC o mundo quase todo crescia, exceto alguns países periféricos que insistiam em políticas liberalizantes. Há um mito de que na época de FHC havia crise econômico no restante do mundo. Basta olhar as taxas de crescimento dos EUA, da Europa e da China nesse período, que cresceram quase ininterruptamente. Só quem enfrentava crise eram os países periféricos que se submetiam às políticas de vulnerabildiade externa, como o Brasil, a Argentina, o México e a Rússia. Em 2008, a crise foi no centro do sistema econômico, e o Brasil a enfrentou de cabeça erguida, sem ter que pedir socorro ao FMI (ao contrário, no ano passado foi o Brasil que deu um empréstimo ao Fundo, como “nunca antes na história deste país”).

6. CORRUPÇÃO: Corrupção é um problema nacional, sem dúvida. Mas o combate não depende apenas de boa vontade. Depende do fortalecimento de instituições próprias para isso. Foi o que Lula fez, invertendo o que o PSDB fez no âmbito federal e segue fazendo em âmbito estadual. O Procurador-Geral da República, o único que pode acusar o presidente e seus ministros, passou a ser independente, escolhido pela categoria. Antigamente, tínhamos o procurador-geral que era primo do vice-presidente e “amigo do rei”, razão pela qual ficou nacionalmente conhecido como “arquivador-geral da república”. A Polícia Federal mudou da água para o vinho sob o governo Lula, com novos equipamentos, contratação de pessoal sem precedentes, aumento de salário e de estrutura. É orgulho nacional hoje. A Controladoria-Geral da União foi instituída com a finalidade de dar transparência ao governo, o que fez o governo federal se tornar um dos mais transparentes do mundo (8o. lugar), à frente dos europeus e dos Estados Unidos, conforme ranking da ONG ligada a Bill e Melinda Gates. Todas as contas estão disponíveis no Portal da Transparência, ao passo que antes não havia divulgação (o que segue ocorrendo no Estado de São Paulo).

7. PRIVATIZAÇÃO: A Petrobras quase foi privatizada sob FHC (queriam chamá-la de PetroBrax, para, depois, vendê-la). Por sorte e por pressão, isso não ocorreu. Agora o Brasil, que se tornou autossuficiente em petróleo, achou uma das mais maiores reservas de petróleo das últimas décadas, o pré-sal. Se tivéssemos privatizado a Petrobras antes, o dinheiro daí advindo não poderia ser adequadamente aplicado no interesse do país (e não das empresas). Aliás, foi o poder de controle do governo sobre a Petrobras que permitiu o renascimento da indústria naval, que se destaca no Estaleiro de Suape. Essa é uma das razões que permitiu que o Brasil crescesse acima da média mundial sob Lula, enquanto que sob FHC crescia abaixo dela. Felizmente houve esse recente aumento de capital (o maior da história do mundo, aliás) que permitirá novos investimentos e o aumento do controle do governo sobre a empresa.

Em síntese, o Brasil, que tinha grandes expectativas quanto a seu futuro no início da década, hoje é um país digno, com redução gradual das desigualdades sociais, crescimento econômio e do emprego, aumento do prestígio internacional. É outro país.