Recentemente, a imprensa noticiou que os bancos federais Caixa e BB passaram a observar a orientação de baixar os custos – taxas de juros e de administração – de suas concessões de crédito. A medida busca facilitar o acesso ao crédito no Brasil como forma de aquecer a economia. Um outro efeito esperado é o de que os demais bancos, especialmente os privados, se vejam, por decorrência da competitividade, obrigados a baixar, a seu turno, seus custos para a concessão de crédito.

Ante a estratégia de política econômica posta, pode-se questionar se ela não levaria os bancos federais e todo o sistema bancário à bancarrota. A problematização sobre a capacidade dos bancos assimilarem essa proposta de acirramento concorrencial soa como claramente exagerada, quando se constata que o spread bancário brasileiro é um dos mais altos do planeta. Tanto é assim que não houve quem se arriscasse por esse caminho, embora tenham tentado justificar o injustificável com ponderações sobre o risco de calote num país em desenvolvimento como causa para as obscenas taxas de spread. Nada justifica que os bancos nacionais, segundo se veicula na mídia, paguem cerca de 9% para captar os recursos no sistema e recebam cerca de 180% (a diferença entre tais percentuais se constitui no spread bancário). Com efeito, não há espaço algum para falar em bancarrota, mas em saudável realinhamento do sistema. Nesse sentido, é improvável que a Caixa esteja se excedendo na sua tática, ante os notórios lucros do sistema bancário nacional.

Nos resta a provocação criativa sobre que outras ideias de profilaxia econômica, política, social ou de gestão pública podem ser empreendidas com respeito às regras do sistema em que inseridas e, ao mesmo tempo, efetivamente indutoras. Sugestões?