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Responsabilidade corporativa – Parte 1.

Podemos discordar no grau, não no gênero: o capitalismo brasileiro tem — há muito! — dado provas de competência e modernidade. Temos grandes corporações estabelecidas nos principais mercados do mundo, algumas delas dando as cartas em seus campos de atuação.
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Constituímos, ao longo do tempo, um belo conjunto de historias de sucesso de gestores que ocupam as páginas de artigos, de livros e de revistas de referência em gestão empresarial. É isso, caríssimos. Temos atraído a atenção de especialistas, de curiosos e de investidores.

Em sua ultima edição, a revista Exame traz como matéria de capa um relato sobre o jeitinho brasileiro — no bom sentido, felizmente! — à frente da maior cervejaria do mundo. O futuro aponta para que casos como o da ABInBev sejam cada vez menos raros. Amém!

Um belo panorama, apesar de tudo. Estamos chegando lá, apesar de governos e de resistências de várias ordens. Não é raro, ainda hoje, noticiarmos ataques à lógica empresarial, demonização generalizada das práticas corporativas e críticas à remuneração dos executivos. Ainda há vozes que buscam sabotar o capitalismo brasileiro. De uma maneira ou de outra — mas com cada vez menos força –, ainda há no País uma certa desconfiança, uma espécie de ojeriza à palavra “capitalismo”. É bem verdade que a última crise internacional acabou por dar nova rodada de fôlego às criticas que há muito são dirigidas ao universo empresarial, sejam elas por questões de transparência, de (falta de) diligência dos administradores ou, em linhas gerais, de responsabilidade corporativa. Nada mais oportuno, pois, do que assumir a importância deste debate.

Governança Corporativa é o nome que se dá ao conjunto de práticas que visam preservar o valor das organizações e contribuir para sua longevidade. […]

Um debate a ser superado.

“Our view of possible alternatives to the states system should take into account the limitations of our imagination and our own inability to transcend past experience.” Hedley Bull – The Anarchical Society.

Diga-me, caro leitor: para que parcela da humanidade o mundo funciona a contento? Acredito que ninguém se arriscaria a responder: “para a maioria”. Do ponto de vista da segurança global, não há como questionar que a ameaça e o uso da força representam política as usual em inúmeras partes do mundo – e isto não é recente. Estamos acostumados a isso. Vemos com naturalidade e impotência as mais graves ocorrências de violência e destruição que se manifestam simultaneamente em diferentes lugares.

Os estudos de segurança – em especial os vinculados à tradição realista, tida como hegemônica nesta seara – têm reforçado em grande medida esta tendência. Ao assumir uma supostamente legítima interpretação do mundo “como ele é”, muitas dessas abordagens ao tema acabam por reforçar práticas que confirmarão a manutenção das coisas exatamente como estão colocadas hoje. E elas não estão boas. A sabedoria popular nos ensina: não espere resultados diferentes agindo da mesma maneira.

A citação de Hedley Bull, acima registrada, é aqui utilizada para indicar o tom da proposta contida neste texto: pensar diferente para colher resultados diferentes. As coisas não deveriam ser aceitas apenas por que não conseguimos transcender experiências passadas. Certo?

A teoria dominante na área de segurança é um exercício de reforço das concepções e práticas elaboradas pelos países centrais nas relações internacionais. Nas palavras de Ken Booth (2005), “a theory of the powerful, by the powerful, for the powerful”.

Uma teoria orientada para o retrovisor e que hoje está fora de sincronia com a realidade, em especial aquela dos países mais […]

Defesa Nacional: o Brasil vai às compras!

Encerramento da semana da pátria em Brasília. O desfile cívico-militar de 7 de setembro estava lá, conforme a tradição prescreve. No palanque de autoridades, ao lado do Presidente Lula, um sujeito armado até os dentes com uma agenda de negócios bilionária: “fazer acontecer” as vendas de armamentos franceses para o Brasil.

A oportunidade não poderia ser melhor. Os programas de aquisições das Forças Armadas brasileiras estão em curso. E, para as testemunhas do desfile, a necessidade de atualização do material de emprego bélico brasileiro ficou claramente exposta. Sarkozy deve ter ficado emocionado com a cerimônia alusiva à nossa Data Nacional.

Emocionado também ficou o nosso Presidente, que se adiantou em anunciar o acerto para a compra dos caças de fabricação francesa, Rafale. As manchetes do dia seguinte davam conta do anúncio da compra. Já o governo, apressou-se em dar conta do possível estrago que a inapropriada antecipação de Lula poderia causar no processo de compra. O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, corrigiu tentou reverter a situação e apontou para o fato de que as negociações ainda “não estão encerradas”.

O tema é envolvente pelo conteúdo tecnológico e patriótico que comporta. As pessoas adoram ver a parafernália militar em ação. Mas ninguém dá — ou poucas pessoão dão — mais que 24 horas de atenção ao assunto. E este é um triste diagnóstico. A despeito de todos os esforços de valorização do tema na agenda política do governo e de democratização do tema no seio da sociedade e, em particular, nos ambientes acadêmicos do País, os assuntos de defesa ainda são tratados com descaso. E a imprensa dá o exato tom disso.

É suficiente colocar imagens de armamentos de última geração nas telas e impressos ou buscar um especialista […]