As novas tecnologias podem ajudar – e já ajudam – a estreitar os laços entre as políticas governamentais e os anseios dos cidadãos. As democracias representativas, em que a responsabilidade pelas políticas públicas é dada aos mandatários, abrigam naturalmente um distanciamento entre Estado e indivíduo. A tecnologia surge como uma forma de atenuar os efeitos desse divórcio, criando pontos de contato entre os eleitores, de um lado, e os eleitos e os burocratas que lhes acompanham, de outro.

Ferramentas na internet já são muito utilizadas nesse sentido. Há canais de denúncias, sugestões e reclamações em quase todos os sites públicos. Existe também uma inifinidade de informações sobre a atuação governamental, desde orientações sobre programas de governo, até relatórios de performance e dados sobre os recursos gastos pelo poder público.

Várias plataformas desenvolvidas pelo setor privado ou por ONGs dão o tom da postura ativa dos governados via web 2.0. O Cidade Democrática (http://www.cidadedemocratica.org.br/) abriga problemas e propostas por cidade; o Vote na Web (http://votenaweb.com.br/) divulga, promove debates e faz votações de projetos que tramitam no Congresso; o Urbanias (http://www.urbanias.com.br/Default.aspx) encaminha as queixas dos cidadãos de São Paulo aos orgãos competentes para resolvê-los.

O telefone celular, no entanto, ainda é muito pouco explorado. Sua grande vantagem é certamente a acessibilidade. Há mais pessoas com celulares do que com internet. Dados da CETIC de 2009 (http://www.cetic.br/usuarios/tic/2009/tic-domicilios-2009.pdf) dão conta de que, nos três meses anteriores à pesquisa, 78% da população haviam usado celular, enquanto que apenas 43% haviam usado internet. Além disso, o celular está sempre à mão, enquanto que a grande maioria dos internautas somente acessa a web de casa ou do trabalho. Ou seja, quando o cidadão pensa em reportar ao poder público a notícia de um buraco na rua, de um muro pichado, de um carro furtado e abandonado, de uma obra inacabada, está provavelmente na rua. Ao ligar o computador, já se esqueceu da notícia ou da queixa..

A plataforma americana ClickFix (http://www.seeclickfix.com/how_seeclickfix_works) permite que as pessoas enviem notícias sobre diversas questões públicas por meio da internet, do celular, de e-mail e do twitter. Depois, todas as informações são consolidadas por local e são enviadas a cidadãos cadastrados e a representantes de governos, mídia e grupos comunitários.

Outro possível uso do celular: o cidadão poderia enviar uma mensagem com o código de uma obra e receber, também por mensagem, informações sobre ela.

Antevê-se uma dificuldade na utilização de distintas ferramentas de tecnologia: integrar os inputs da sociedade provindos de diferentes plataformas (telefone, web, celular, e-mail) pode se revelar uma tarefa árdua para os gestores públicos.

Os usos democráticos das tecnologias, dado seu potencial de aproximar o cidadão e a esfera pública, precisam ser estimulados. Não apenas via internet. Não apenas pela sociedade civil. O celular e o Estado têm papeis relevantes a cumprir na nova onda de democracia eletrônica.