A revista inglesa lançou uma edição com análises e previsões sobre o cenário político e econômico do mundo em 2012, dentro do padrão qualidade da revista: matérias sucintas, bem escritas e que tocam os pontos chaves das questões abordadas. Mas, também segundo o costume da publicação, há uma série de “recomendações” para os governos nacionais no que se refere à política econômica.

A análise é sempre acurada, algumas vezes apontando sutilezas interessantes. Mas as sugestões para a condução de políticas, em geral, é desastrosa. O tom é de apoio às “reformas para ganho de competitividade” na Zona do Euro e de um amargo pessimismo em relação às possibilidades políticas na Europa, nos EUA e mesmo na China. A idéia é enxugar orçamento, reduzir direitos trabalhistas e sociais, por um lado; por outro, quase um conselho a se contentar com uma política sem criatividade e imobilizada.

Não tinha esperança de ler sequer uma linha de apoio aos movimentos populares que balançaram o ocidente em 2011, mas o próprio fenômeno foi negligenciado quase que completamente. Por outro lado, há uma extensa análise das movimentações populares no Oriente Médio, o que nos faz concluir que são bem vindos os protestos por democracia, mas não os por justiça social.

Mesmo após as críticas, recomendo a leitura da edição especial “O Mundo em 2012” por dois grandes motivos: 1) para compreender (e daí alterar) a realidade é preciso conhecer e até partilhar algumas visões em comum com a direita não radical; 2) notar o foco (leia-se parcialidade) da imprensa liberal, nos faz lembrar o quanto temos de ser ativos na batalha pela informação. Para a The Economist, por exemplo, não há nenhum problema estrutural com o sistema econômico: basta que a Alemanha e França sejam mais compreensivas e que Grécia, Itália e Espanha sejam menos preguiçosas e façam seu dever de casa. E depois somos nós, jovens esquerdistas, os ingênuos…