Saíram os dados de 2011 sobre as patentes registradas no escritório norte-americano de propriedade industrial, o USPTO. Embora as estatísticas sobre propriedade industrial possam ser examinadas sob várias perspectivas (pedidos em cada país, pedidos via OMPI, etc.), o dado sobre patentes no USPTO é dos mais relevantes, já que invenções com real impacto econômico tendem a ser registradas no escritório norte-americano por se tratar, ainda, da maior economia mundial.

As patentes originadas no Brasil subiram de 175 em 2010 para 215 em 2011 (aumento de 23%). Não é um mal resultado, mas dá uma sensação de que podemos muito mais quando comparamos o nosso indicador com o da Coreia do Sul: o “tigre asiático” alcançou 12.262 patentes em 2011, superando as 11.671 de 2010 (conquanto, em termos proporcionais, o acréscimo tenha sido de apenas 5%).

Não custa lembrar que, em 1980, os brasileiros registraram 24 patentes no USPTO, enquanto que os coreanos obtiveram apenas 8 consignações.

Vejam a lista completa de patentes de invenção com origem brasileira registradas no escritório norte-americano, ano a ano a partir de 1980:

24 23 27 19 20 30 27 34 29 36 41 62 40 57 60 63 63 62 74 91 98 110 96 130 106 77 121 90 101 103 175 215

 

Eis agora o retrato da evolução das invenções com origem na Coreia do Sul registradas nos EUA:

8 17 14 26 30 41 46 84 96 159 225 405 538 779 943 1161 1493 1891 3259 3562 3314 3538 3786 3944 4428 4352 5908 6295 7548 8762 11671 12262

 

A situação se torna ainda mais curiosa quando comparamos os registros de patentes com os de publicação científica em periódicos indexados. Coreia e Brasil figuram, respectivamente, em 12 e 13 no ranking dos países com maior número de publicações.

Já que a produção científica é parecida, o que justifica, então, tamanha disparidade na produção de tecnologias para o setor produtivo?