Até agora a disputa presidencial não gerou nenhum debate interessante. Nem a sombra de um. Estamos, meus caros, envoltos pela bruma da superficialidade e da monotonia. Não preciso me esforçar muito para apontar os culpados. Primeiro os próprio candidatos, que têm insistido em repetir propostas tolas ou muito genéricas. Lembro, por exemplo, dos 300 ministérios que os candidatos já prometeram criar, as continuidades e extensões de programas pré-existentes, as bravatas em política externa e as afirmações genéricas de tirar tantos milhões da pobreza, do analfabetismo etc., sem explicar como. Além disso, atrasaram a entrega dos programas, registraram documentos provisórios e, pasmem, até discursos.

A imprensa, ao invés de tentar aprofundar o debate, só fez piorar o quadro. Confesso que há tempos não vejo nada tão sem sentido como a discussão sobre os “radicalismos” do programa petista. Nada foi analisado com um pingo de profundidade ou mesmo de honestidade intelectual. Outras grandes inovações como “medidores” da qualidade e factibilidade das promessas parece até brincadeira. Duas linhas tentam justificar o que é uma simples opinião pouco fundamentada do jornalista. A imprensa parece se deleitar com qualquer notícia que ateste falta de moralidade dos políticos – dinheiro em espécie, dossiês, multas do TSE e coisas do gênero – mas parece ter um certo temor de discutir conteúdo das políticas.

Talvez a coisa melhore um pouco com o início do horário eleitoral. Talvez blogs independentes e pequenos como o nosso possam ajudar internautas mais ávidos. Bem, tenhamos esperança. Talvez alguns modestos raios de sol dissolvam um pouco da bruma.