Economia

Como entender o complexo mercado financeiro e o atual caos

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender…

É assim:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender
cachaça na caderneta aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decidir vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em uma das melhores faculdades norte americanas, e com MBA no MIT, decide (mais…)

O soluço neoliberal: o debate sobre os louros do “grau de investimento”

Depois do sumiço dos defensores do neoliberalismo após as inúmeras dificuldades que enfrentaram (insatisfação generalizada nos países periféricos, crise financeira nos Estados Unidos e retomada da intervenção e da regulação estatais), o movimento reapareceu exultante com a qualificação do Brasil como investment grade – qualificação, aliás, feita por agência de classificação de risco com imagem deteriorada por não ter antevisto o risco dos créditos subprime norte-americanos.

Afora as possíveis conseqüencias negativas do grau de investimento para um país que mantém uma taxa de juros escandalosa (falei sobre o assunto em outro artigo no blog, Tenho medo do investment grade), é preciso comentar esse novo soluço liberal, manifestado em inúmeros artigos de jornais e em matérias da grande imprensa.

O ponto central é: de quem é o mérito pelo investment grade? O que permitiu ao Brasil alcançar esse status? (mais…)

Abolição das raças

Calma! O leitor desavisado pode ser levado a crer que estou defendendo, neste texto, o extermínio de algum grupo étnico, cultural ou nacional. Não se trata disso. Este artigo foi escrito a propósito da polêmica suscitada pelas declarações do General Augusto Heleno, Comandante Militar do Exército na Amazônia, que qualificou a política indigenista no Brasil de “lamentável, para não dizer caótica”. Entre outras frases bombásticas, o General afirmou que o índio também é brasileiro e não pode ser excluído da convivência com outros brasileiros. E comparou a separação das terras indígenas com o conhecido bairro paulista com forte presença japonesa: “Quer dizer que, na Liberdade, vai ter japonês e não-japonês?” (mais…)

Dogmas que desmancharam no ar

Os indicadores recentemente divulgados sobre a economia brasileira fizeram cair por terra alguns dogmas do debate econômico dos últimos anos. De fato, na última década, criaram-se verdadeiros fantasmas sobre certas medidas, e eles obtiveram impressionante ressonância na imprensa e no governo. “Um espectro rondava o Brasil: o espectro do imobilismo estatal na economia”, parafraseando Marx. Mas, como “tudo o que é sólido desmancha no ar”, ainda citando o controverso ideólogo alemão, com os mitos liberais não poderia ser diferente. (mais…)

Reverter o declínio tecnológico – Roberto Nicolski e André Korottchenko de Oliveira

* Texto publicado na Folha de S. Paulo em 10 de março de 2008

Oito anos de vigência dos fundos setoriais, quatro anos da Lei da Inovação e dois anos e meio da Lei do Bem não levaram o Brasil a melhorar sua performance tecnológica em relação aos demais países em desenvolvimento. Ao contrário, pioramos. No ranking de 2007 do escritório norte-americano de patentes, o USPTO, perdemos uma posição em relação a 2006, ficando agora em 29º lugar, enquanto mais um país emergente -desta vez a Malásia- nos faz engolir poeira.

O Brasil encerrou 2007 com um saldo de apenas 90 patentes concedidas nos EUA, contra 1.121 para a China, 545 para a Índia e 158 para a Malásia. Mas o que chama atenção é que, acima da questão do ranking, o desempenho que apresentamos é incompatível com a dimensão de nossas indústria e economia. É um resultado que evidencia o equívoco das nossas políticas públicas de fomento à inovação, que se confundem com políticas de apoio à ciência e às universidades.
Sempre se pode argumentar que o desempenho de um ano isolado está sujeito a flutuações contingenciais. Mas mesmo quando consideramos triênios, os resultados obtidos pelo Brasil neste começo do século 21 são decepcionantes. No período 2005-2007, tivemos 288 patentes concedidas no USPTO, contra 359 para a Malásia, 1.410 para a Índia e 2.775 para a China. A comparação com o triênio anterior, 2002-2004, mostra que, enquanto a China cresceu 53% no período, a Índia, 48% e a Malásia, 94%, as nossas patentes nos EUA caíram 13%.

Se observarmos o quadro histórico das patentes concedidas pelo escritório norte-americano nas últimas três décadas, notaremos que o Brasil vem perdendo posições para outros países emergentes há bastante tempo. […]

Os Problemas da Carga Tributária Brasileira

Economistas normalmente medem o tamanho do Estado em um país pelo valor arrecadado em tributos sobre o total produzido; chamam isso de carga tributária. A maior heresia da atualidade na política brasileira é defender o atual nível de carga tributária nacional. Todos batem, de Delfim Neto em seu último artigo na Carta Capital à The Economist em seu especial de 15 páginas sobre o Brasil na penúltima edição. E, para a maioria, a carga tributária compete com o nível de juros como barreira ao crescimento do país (uma minoria ainda acredita que o nível de juros não é problemático). Bom, como sempre tive vocação para o pecado, vamos lá: a carga tributária não está alta. (mais…)

O Novo Cálculo do PIB

Caros leitores, pretendo enviar com certa periodicidade coluna sobre o semana-a-semana da economia. Lá na CBN fala-se em dia-a-dia da economia, mas como não tenho o fôlego da Miriam Leitão e o povo que me emprega gostaria de me ver trabalhar, peço licença para dilatar os prazos. Deter-me-ei exclusivamente ao tema não por ser o único pelo qual me interesso, mas por acreditar que desta forma otimizo minha contribuição para o Blog. E preciso destacar que não ousarei assumir posição de autoridade no assunto, já que, como ouvi de Marcos Toscano em discussão recente, não possuo título para fazê-lo. Assim, prometo receber com carinho e respeito os comentários, que espero serem múltiplos. (mais…)