Educação

Da indignação à ação II: agora sobre Educação

Nas últimas semanas, a qualidade do serviço público de educação tornou-se gradativamente uma das pautas centrais dos protestos. Felizmente! É mais do que necessário que o tema se torne uma das pautas centrais da política brasileira. Precisamos diagnosticar nossa situação e, a partir daí, avaliar que outras medidas precisamos adotar para acelerar a melhoria.

Contrariando o senso comum, o Brasil tem avançado muito em educação. Mas o fato é que estávamos tão defasados, mas tão defasados mesmo, que o ritmo da melhora ainda está lento para nossas legítimas aspirações por uma educação pública de qualidade.

Houve recentemente significativo aumento dos gastos públicos em educação (3,9% para 5,3% do PIB, aumentando o orçamento, só no âmbito federal, de R$ 32 bi em 2005 para R$ 74 bi em 2013, com valores corrigidos pelo IPCA). Também se verificou nos últimos anos uma melhora relevante e promissora das notas dos estudantes (veja-se a avaliação internacional dos estudantes feita pelo Pisa, da OCDE, em que fomos o terceiro país que mais avançou na última decada, ou os exames dos alunos consolidados no âmbito do Ideb). Garantiu-se o acesso de banda larga em praticamente todas as escolas públicas urbanas, o que é um feito em tanto.

Mas, como já indicado, partimos de um patamar muito baixo. Pode-se dizer que a fotografia do momento é ruim, mas, se olharmos o filme, ele pode ser promissor. Inegavelmente, há ainda uma longa estrada para formar cidadãos aptos a exercerem suas potencialidades. E é urgente percorrê-la num passo mais acelerado.

Diante de avanços importantes mas relativamente lentos, o que fazer com esse volume crescente de recursos destinados à área, agora acrescidos das rendas do pré-sal? Vale lembrar que recursos financeiros são relevantes, mas eles não são suficientes […]

Por que falar tanto em educação infantil?

Interessante o post de Jonah Lehrer intitulado “Does preschool matter?” publicado no site Wired.com. Apoiando-se nos trabalhos de pesquisadores das áreas da economia e da psicologia, o texto evidencia porque a educação infantil importa, e muito, para alavancar as chances das crianças se tornarem adultos bem-sucedidos social e profissionalmente.

Em síntese, James Heckam, que foi agraciado com um Nobel em economia pelos métodos que desenvolveu para estudar programas sociais e de educação, acompanhou por décadas a trajetória familiar, social e profissional de 123 pessoas vindas de famílias pobres afro-americanas que, aos três anos de idade, foram divididas em dois grupos: um que frequentou a escola durante os anos de educação infantil e outro que não o fez. Os resultados mais recentes indicam que, aos 40 anos de idade, os adultos do primeiro grupo tiveram melhores notas ao longo da vida e são menos dependentes de programas sociais.

Os trabalhos de Elliot Tucker-Drob na área da psicologia, por sua vez, buscaram avaliar e mensurar a influência da genética e do ambiente familiar sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças. Observou-se que fatores do ambiente familiar contaram muito para aquelas que não frequentaram a escola nos primeiros anos da infância e não contaram tanto para as que frequentaram. O ambiente de estímulos cognitivos que as crianças tiveram na escola teria sido suficiente para substituir ambientes pouco estimulantes no lar.
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Nessa trilha, um sistema de educação infantil de qualidade poderia reduzir as desigualdades das condições de aprendizado que as crianças têm em casa em função da escolaridade e da renda da família.

O livro “Aprendizagem Infantil – Uma abordagem da neurociência, economia e psicologia cognitiva”, publicado em outubro de 2011 pela Academia Brasileira de Ciências, vai na linha que foi […]

Inovando o Brasil

Em 1980, o Brasil obteve 24 patentes de invenção no escritório americano de propriedade intelectual. No mesmo ano, a Coréia do Sul obteve 8. Três décadas depois, os brasileiros obtiveram cerca de 101 patentes, o que demonstra alguma evolução. A Coréia saltou para impressionantes 7.549.

O número de patentes, é verdade, não é o único meio de aferir desenvolvimento de tecnologias nos países, mas é um dos principais. A evolução das patentes sul-coreanas se refletiu na renda de sua população: em 1980, era pouco inferior à brasileira; hoje, é quase o triplo da nossa.

À primeira vista, levando em conta esses dados, pode parecer a um desavisado que o Brasil é um fiasco em produção científica. Mas não somos – e é isso que torna o tema interessante. Nossa produção científica é praticamente equivalente à sul-coreana. Em 2009, enquanto que os brasileiros publicaram pouco mais de 30 mil artigos em periódicos científicos indexados, a Coréia publicou cerca de 35 mil, número muito próximo. Somos o 13o no ranking científico mundial, e a Coréia é o 12o.

Como explicar essa disparidade entre produção científica e patentes de invenção? Mais importante: como auxiliar o Brasil a tornar-se um polo de inovações tecnológicas?

Para compreender a situação, é preciso recuperar o histórico da industrialização tardia desses dois países. Enquanto a Coréia do Sul incorporou tecnologias estrangeiras por meio da importação de bens de capital e da denominada engenharia reversa, a industrialização brasileira se baseou em investimentos estrangeiros diretos – esses quase inexistentes por lá até recentemente. Por isso, o parque industrial lá formado se baseou em grandes empresas nacionais que copiavam produtos e tecnologias dos países desenvolvidos. No nosso caso, excetuadas as estatais, o parque industrial foi composto principalmente por empresas […]