Política Internacional

Defesa Nacional: o Brasil vai às compras!

Encerramento da semana da pátria em Brasília. O desfile cívico-militar de 7 de setembro estava lá, conforme a tradição prescreve. No palanque de autoridades, ao lado do Presidente Lula, um sujeito armado até os dentes com uma agenda de negócios bilionária: “fazer acontecer” as vendas de armamentos franceses para o Brasil.

A oportunidade não poderia ser melhor. Os programas de aquisições das Forças Armadas brasileiras estão em curso. E, para as testemunhas do desfile, a necessidade de atualização do material de emprego bélico brasileiro ficou claramente exposta. Sarkozy deve ter ficado emocionado com a cerimônia alusiva à nossa Data Nacional.

Emocionado também ficou o nosso Presidente, que se adiantou em anunciar o acerto para a compra dos caças de fabricação francesa, Rafale. As manchetes do dia seguinte davam conta do anúncio da compra. Já o governo, apressou-se em dar conta do possível estrago que a inapropriada antecipação de Lula poderia causar no processo de compra. O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, corrigiu tentou reverter a situação e apontou para o fato de que as negociações ainda “não estão encerradas”.

O tema é envolvente pelo conteúdo tecnológico e patriótico que comporta. As pessoas adoram ver a parafernália militar em ação. Mas ninguém dá — ou poucas pessoão dão — mais que 24 horas de atenção ao assunto. E este é um triste diagnóstico. A despeito de todos os esforços de valorização do tema na agenda política do governo e de democratização do tema no seio da sociedade e, em particular, nos ambientes acadêmicos do País, os assuntos de defesa ainda são tratados com descaso. E a imprensa dá o exato tom disso.

É suficiente colocar imagens de armamentos de última geração nas telas e impressos ou buscar um especialista […]

Obama: um balanço dos primeiros passos

Os primeiros passos do governo Obama estão fazendo justiça à elevada expectativa criada durante a campanha eleitoral. Inspirado declaradamente em Abraham Lincoln, mas representando na verdade um novo Bobby Kennedy (aliás, para quem ainda não viu, é imperdível o filme “Bobby”), o primeiro presidente negro dos EUA encampou diretrizes que nos fazem acreditar em uma retomada do nobre papel histórico já desempenhado pelos Estados Unidos, embora há muito abandonado. E o papel dos EUA é central para o mundo, positiva ou negativamente.

Depois de trinta anos dourados de desenvolvimento intenso em seguida à Segunda Guerra Mundial, o mundo enfrentou dificuldades econômicas sérias a partir de meados dos anos 1970. Até então, a crise era apenas econômica. Os governos de Reagan nos EUA e de Thatcher na Inglaterra, a partir dos anos 1980, é que foram os responsáveis pelo retrocesso ideológico e social que o mundo amargou, ao ver imposta a denominada Revolução Conservadora. Apontando o Estado como culpado por todos os males (“o governo não é a solução dos nossos problemas; o governo é o problema”, disse Reagan em sua posse), os dois governantes iniciaram no mundo uma era de individualismo fundamentalista, desdenhando da observação histórica de que as grandes vitórias humanas são construções coletivas.

Foram quase trinta anos de aumento da desigualdade entre nações e dentro das nações, enfraquecimento do Estado de Bem-Estar Social, desmonte da capacidade regulatória do Estado, desrespeito aos direitos humanos, obscurantismo na pesquisa científica, omissão frente ao desastre ambiental e espírito belicoso e unilateral. Democratas e republicanos se alternaram no poder dos EUA, mas a força do conservadorismo predominou. O mesmo ocorreu na Inglaterra entre conservadores e trabalhistas. E essas idéias se irradiaram pelo planeta, especialmente na América Latina. Ao menos […]

A disputa sul-americana e a imprensa brasileira

Pretendia escrever nesta semana sobre a reforma tributária. Mas um fato novo surgiu: no último sábado, a Colômbia invadiu o território do vizinho Equador, bombardeou o local, desceu de helicóptero militar com suas tropas e retornou ao seu país. É um caso evidente de violação da soberania de um país, num continente ainda castigado pela pobreza.

Diante desse despautério colombiano, qual a reação da grande imprensa brasileira? Culpar Chávez por ter determinado o envio de tropas para a região em resposta à ação colombiana. A culpa da invasão no Equador é de Chávez! (mais…)

Em Defesa do Mercosul

A 32ª reunião de Cúpula de Líderes do Mercosul, que ocorreu Rio de Janeiro nos últimos dias 18 e 19, suscitou na mídia diversas questões atinentes ao sucesso do bloco. A imprensa brasileira adotou, no mais das vezes, posturas céticas em relação à atual situação do sistema de integração e às suas possibilidades de aperfeiçoamento. A descrença no bloco é fundada em inúmeras razões. Citemos algumas delas, para que reste claro que o espírito desses críticos não é por demais pessimista.

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